sábado, 11 de junho de 2011

Comércio justo deve focar mercado interno

Seminário Internacional reuniu agricultores familiares, pequenos produtores de frutas e representantes de entidades públicas e privadas

O desafio atual dos empreendedores e entidades apoiadoras do fair trade – palavra em inglês para comércio justo e solidário - é conquistar os consumidores do mercado interno. Esse tipo de negócio é constituído por pequenos produtores de frutas, castanhas de caju, mel, café, cacau, algodão, açúcar, artesanato, cachaça, entre outros.

O tema foi abordado no III Seminário Internacional do Comércio Justo, realizado nesta quarta, dia 8, no Hotel Villa Oeste, em Mossoró (RN). Cerca de 120 pessoas, entre agricultores familiares, pequenos produtores de frutas e representantes de entidades públicas e privadas participaram do evento. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Sebrae, o Comitê Executivo de Fitossanidade (Coex) e a Universidade Federal Rural do Semi-árido (Ufersa) são os realizadores do seminário.

– Precisamos fazer com que o mercado nacional se torne comprador dos produtos do comércio justo – declarou João Hélio Cavalcanti, diretor-técnico do Sebrae no Rio Grande do Norte.

O nicho de mercado lá fora foi reduzido em decorrência da crise do mercado europeu, que está comprando menos.
Haroldo Mendonça, coordenador geral do Comércio Justo e Solidário do MTE, chamou a atenção para a necessidade das políticas públicas focarem toda a cadeia produtiva e não apenas a produção.

– Temos de olhar para quem produz, comercializa e consome – alertou.

Ele apresentou o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário (SNCJS), lançado pelo presidente Lula por meio de decreto em novembro passado, que apontou a existência de cerca de 22 mil empreendimentos de CJS no país. O segmento tem potencial para abrigar 30 mil organizações coletivas integradas por pequenos produtores agrícolas, número que equivale a dois milhões de indivíduos.

AGÊNCIA SEBRAE

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cana e efeito estufa

Estudo desenvolvido no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da USP, comprova por meio de um modelo matemático denominado Century, que manter a palhada - restos da cana que ficam no solo após a colheita - aumenta significativamente a fixação de carbono na terra.

O trabalho também confirma que a colheita mecanizada da cana-de-açúcar diminui a emissão de gás carbônico para a atmosfera, atenuando o efeito estufa.

Os dados para o estudo foram obtidos pelo pesquisador Marcelo Valadares Galdos, atualmente no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), de duas formas distintas.

A primeira, por meio da coleta de amostras de solo em locais de colheita com queimada e de colheita mecanizada a partir da cronossequência, que consiste na retirada de amostras distintas do solo que possam demonstrar as diferenças ocasionadas pelo tempo.

E, a outra, por informações do Instituto de Pesquisa da Cana-de-açúcar da África do Sul sobre solos com até 60 anos consecutivos de colheita sem queima.

A partir disto, utilizando-se o modelo matemático Century, desenvolvido pela Universidade do Estado do Colorado (EUA), adaptado para a análise de dados de solos de plantações de cana-de-açúcar, foi possível prever cenários futuros para estas regiões.

Modelo computacional
Galdos explica que o procedimento dele e de outros pesquisadores foi "calibrar e validar um modelo computacional com dados de plantações da África do Sul e das cidades de Goiana (Pernambuco), Timbaúba (Pernambuco) e Pradópolis (São Paulo), para simular fluxos de carbono e nutrientes entre o solo, a planta e a atmosfera."

Em Pradópolis, por exemplo, a manutenção da palhada no solo aumentou a fixação de carbono em 1.200 quilogramas por hectare por ano.

O professor Carlos Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, que também participou da pesquisa, diz que "a quantidade de carbono que será fixada no solo depende do tipo de solo, do clima, do manejo da cultura, da forma da colheita, entre outros fatores. O solo argiloso, por exemplo, consegue fixar muito mais carbono do que o solo arenoso. Assim, como a fixação do carbono em lugares de climas frios é bem melhor do que em locais de climas quentes, onde a decomposição ocorre mais rapidamente."

A colheita mecanizada propicia a manutenção da palhada sobre o solo. Galdos complementa que "durante o processo de decomposição desse material, parte do carbono fica incorporada ao solo. Esse processo é conhecido como 'sequestro de carbono'. Sua importância reside no fato de representar uma diminuição significativa no resultado do cálculo do 'rastro de carbono' do etanol".

Queimadas versus mecanização
A cana-de-açúcar, durante a fotossíntese, processo de obtenção de energia da planta, retira gás carbônico do ar.

O gás carbônico é transformado pela planta em compostos orgânicos que são incorporados pelas raízes, colmo (caule da cana) e folhas.

Quando a colheita é feita por meio da queimada das folhas, o carbono presente nos compostos orgânicos vai direto para a atmosfera em forma de gás carbônico, como produto da combustão.

Em contrapartida, quando a cana é colhida mecanicamente sem queima, parte do carbono não volta para a atmosfera e é fixado no solo.

Etanol ou gasolina

Segundo o pesquisador, a vantagem de colheitas mecanizadas faz com que "plantações de cana-de-açúcar destinadas à produção de etanol tornem este biocombustível duplamente mais benéfico do que a gasolina porque o gás carbônico liberado na combustão do etanol é o mesmo consumido durante a fotossíntese da cana. Na combustão da gasolina esta reciclagem não ocorre."

O estudo foi contemplado com o 2º Prêmio Top Etanol, na categoria Trabalho Acadêmico. O artigo resultante do estudo, publicado na Soil Science Society of America Journal, é parte da tese de doutorado do agrônomo Marcelo Valadares Galdos que foi defendida na Esalq e orientada pelo professor Carlos Cerri do CENA.

Também participaram do estudo, Keith Paustian, da Universidade do Estado do Colorado, Rianto Van Antwerpen, do Instituto de Pesquisa da Cana-de-açúcar da África do Sul, e Carlos Eduardo Cerri, da Esalq.

Sandra O. Monteiro - Agência USP
Publicado no site Inovação Tecnológica

Música e cachaça também aos domingos

A partir desta semana o Clube Mineiro da Cachaça abre suas portas também aos domingos. No próximo dia 12 - dia consagrado aos namorados - o Clube contará com a presença de Serginho Marques, intérprete brilhante da Música Popular Brasileira.
Com muitos anos de estrada, em palcos de teatro ou ao ar livre, em bares ou casas noturnas, Sergio Marques acumulou três patrimônios consideráveis: um repertório vasto, que passa por várias fases da MPB e atende a todos os gostos; domínio da platéia e uma legião de amigos-admiradores entre alguns dos mais reputados artistas da música brasileira, como Vander Lee, Chico Amaral, Henrique Portugal, Samuel Rosa, Beto Lopes, Wilson Sideral e Toninho Horta. Ex-vocalistas das bandas Lombinho com Cachaça e B’jala, Sergio Marques desenvolve um sólido trabalho solo como intérprete e participa de projetos como o Bantuquerê.
O Clube Mineiro da Cachaça estará aberto todos os domingos, a partir das 17 horas, na Rua Mármore, 373 - bairro Santa Tereza - Belo Horizonte - MG.

Minas Cachaça

Acontece do dia 30 de junho a 02 de julho, em Belo Horizonte, a I Minas Cachaça, Feira Nacional de Produtores, Equipamentos, Produtos, Tecnologia e Serviços para a indústria da Cachaça em Minas Gerais. A feira, promovida pela Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade - AMPAQ - já comercializou cerca de 95% dos estandes postos à venda e será realizada em conjunto com o I Congresso Mineiro da Cachaça.
Local: Serraria Sousa Pinto, em Belo Horizonte.
Horário de funcionamento: de 14 às 18 horas (somente convidados) e a partir das 18 até as 22 horas (aberta ao público).
Mais informações: Ampaq – Tel: (31) 3421-4040
ampaq@ampaq.com.br
Central de Eventos: Tel. (31) 3241-4040 – 2526-1002
contato@fariavasconcelos.com.br – lmftv@fariavasconcelos.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Produtores de alimentos orgânicos recebem treinamento para Copa do Mundo

Expectativa é de que haja um aumento da demanda por esses produtos durante o evento que vai trazer pessoas de mundo tododurante o evento que vai trazer pessoas do mundo todo

Minas Gerais e mais 11 Estados brasileiros estão preparando os produtores de alimentos orgânicos para que o setor tenha condições de atender às exigências de um público com hábitos de consumo diferenciado no período da Copa de 2014. A expectativa é de que haja um aumento da demanda por esses produtos durante o evento esportivo, que vai trazer pessoas de todas as partes do mundo, inclusive, de países onde o consumo de orgânicos já está consolidado.

Em Minas, existem aproximadamente 12 mil propriedades que se dedicam à atividade, mas apenas 641 possuem algum tipo de certificação. Segundo a assessora técnica da Superintendência de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Thyara Rocha Ribeiro, a Copa do Mundo é uma oportunidade não só para a divulgação do setor, como também para melhorar o nível de informação e o uso de tecnologias junto aos produtores.

– Para se obter o selo de certificação, o produtor precisa seguir exigências tecnológicas e socioambientais, mas esse é o único caminho para se agregar valor à produção e conquistar credibilidade entre os consumidores – afirma.

Palestras e cursos vêm sendo realizados nas cidades-sede e regiões metropolitanas dos Estados que receberão os jogos da Copa do Mundo. Seapa, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural(Emater-MG) e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) estão mobilizando os produtores para a “Caravana Copa Orgânica”, um ciclo itinerante de cursos e palestras.

Em Minas, as aulas serão realizadas no período de 4 a 6 de abril, com treinamentos programados nos municípios de Belo Horizonte, Jaboticatubas, Brumadinho e Betim. As palestras e temas estão divididos de acordo com o público-alvo (empresários, consumidores e produtores). O evento é uma realização do Instituto BioSistêmico, uma instituição do terceiro setor que promove o desenvolvimento sustentável.

Mais informações sobre os locais e a programação podem ser obtidas pelo site da Caravana Copa Orgânica.

Terça Devassa

Agora, toda terça, aqui no Clube Mineiro da Cachaça, tem a “Terça Devassa”. Lilian Machado coordena a diversão com muita Devassa Gelada a preço promocional e música da melhor qualidade.
Mas as atrações não param por aí: a cada duas cervejas que você consumir, nossas promotoras vão disputar com você, no dado, mais uma por conta da Casa. Não fique fora dessa!
Clube Mineiro da Cachaça
Rua Mármore, 373. Santa Tereza. BH. MG.
Informações e reservas:
(31) 2515-7149 – (31) 3468-3084 - (31) 9102-9405

A regionalização das cervejas

Reproduzo matéria publicada no Estadâo de 04/11

Cervejarias reforçam regionalização
Gaúchos elegem a Polar, paulistas preferem Skol, enquanto que o Rio bebe Antarctica e adota Itaipava. Schincariol domina o Nordeste

Vender cerveja está cada vez mais "científico". A ciência cervejeira leva em consideração o poder aquisitivo e as variações de temperatura. Mas também, cada vez mais, as grandes fábricas traçam planos estratégicos para não desperdiçar nenhum centavo em vendas e distribuição mal dirigida. Com isso, o processo de comercialização regional por marcas ganha força.

Os fabricantes se apoiam no "espírito de torcida" que o consumo da bebida desenvolveu nos últimos anos. Algo cultivado pelas mensagens publicitárias, que construíram um fervor na linha do devotado ao time de futebol. Diante disso, em vez de gastar rios de dinheiro em propaganda para tentar promover adesão às suas marcas, as empresas estão reforçando as preferências regionais.


No Sul do País, por exemplo, a marca do coração é a Polar, do portfólio da Ambev, a cervejaria líder no Brasil com 68% de participação de mercado. Aproveitando que a Polar é a queridinha dos gaúchos, a empresa puxa o preço em comparação às outras marcas. Com isso, garante boa rentabilidade e mantém o clima de exclusividade em torno no rótulo.

"Se a Polar sair do Rio Grande do Sul, vamos matar a marca", avalia Thiago Zanettini, gerente de Polar e Antarctica da Ambev. "O gaúcho tem características muito peculiares de consumo e valoriza o produto local. Vendemos a Polar em redutos mais badalados e, por isso, o preço fica acima da média do mercado".

A tática de garantir rentabilidade apostando na preferência do consumidor por região de consumo, faz com que as cervejarias mapeiem a distribuição. As marcas menos cotadas só desembarcam em determinadas regiões para a desova de estoques e, quase sempre, são comercializadas a preços de liquidação.

A fonte estratégica de informações para a ação de vendas são os dados de pesquisa. A se considerar os três maiores mercados no Brasil por valor - Grande São Paulo, interior do Estado de São Paulo e Rio de Janeiro - as preferências são distintas. Na embalagem clássica, que é a garrafa de 600 ml, pelos dados Nielsen referentes à janeiro deste ano, os paulistanos dão liderança à Skol, uma marca que já foi a preferida dos cariocas. Já a turma do interior do Estado escolhe a Brahma. No Rio, a líder com mais de 10 pontos porcentuais à frente da segunda colocada é a Antarctica.

As três marcas são do portfólio da Ambev. O que surpreende é o avanço contínuo da Cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava. No interior de São Paulo, a empresa aparece em terceiro lugar com a popular marca Crystal, que detém quase 15% das vendas totais. No Rio, aparece também em terceiro, mas com mais de 18% de participação, encostando na Skol, que hoje detém 20% das vendas nessa região.

"A disputa nas vendas de cerveja é mais por microrregião", garante Douglas Costa, diretor de marketing da Petrópolis. "Nós não estamos no Nordeste. Então, conosco, a briga se dá por mercado no Sudeste e Centro-oeste, onde estão nossas maiores fábricas. Cada concorrente tem comunicação específica para atrair a torcida no seu mercado preferencial. Esse cuidado interfere na lucratividade do negócio. Entre São Paulo e Rio, por exemplo, a diferença de preço pode chegar a 20%."

Até mesmo os holandeses da megacervejaria Heineken, que acabaram de chegar ao mercado com a compra da Cervejaria Kaiser há um ano, a tática de atuação, ainda não divulgada, deve ser regionalizada. A marca Bavaria vem tendo distribuição concentrada no interior de São Paulo. "As vendas são cada vez mais feitas por perfil de consumidor, e a Bavaria atende ao universo sertanejo. Toda a sua comunicação vai nessa direção", explica Paulo Macedo, diretor de relações corporativas da Heineken.

A marca que dá nome ao megagrupo global deve seguir voltada ao segmento premium, ou seja, o das cervejas mais caras graças ao grande valor agregado da marca Heineken. Aliás, no Brasil, assim como a empresa fez em outros países onde adquiriu operações, a companhia trouxe um especialista para ajustar o portfólio de marcas e definir como trabalhá-lo. "Vender marcas desejadas é levado a sério na empresa", diz Macedo.

OfertaA inglesa SABMiller, segunda maior cervejaria do mundo, estuda oferta para comprar a brasileira Schincariol, avaliada em US$ 2 bilhões, informou ontem o Sunday Times. A holandesa Heineken também estaria interessada.

Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O ambicioso plano da cachaça

Reproduzo matéria publicada no jornal Estado de Minas, de 16/02/2011

Governo de MG promete ressuscitar programa para ampliar produção artesanal em 45%. Baixar imposto, reforçar marketing e criar centro de pesquisa estão entre medidas estudadas
Paulo Henrique Lobato

Adormecido há quatro anos, o Pró-Cachaça será ressuscitado pelo governo de Minas, que deseja associar a tradicional bebida artesanal, criada na época do Brasil colônia, ao nome do estado, a exemplo do uísque escocês, da vodca russa, do champanhe francês e da tequila mexicana. O primeiro passo será a nomeação dos 22 integrantes do conselho gestor do programa, o que ocorrerá em março. Algumas medidas já foram definidas e serão implantadas nos próximos quatro anos: marketing agressivo para divulgar a branquinha nos mercados externos e interno, conseguir a indicação geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) – o título confere ao produto uma espécie de identidade, tornando-o mais confiável – e criar a primeira unidade estadual de pesquisa voltada para inovações e outras melhorias no setor. Outra medida é possibilidade da redução, de 12% para 8,4%, da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A promessa de reativação do Pró-Cachaça anima os fabricantes artesanais. A expectativa da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq) é expandir a produção anual em 45,8%, de 240 milhões de litros para 350 milhões, depois de as medidas serem implantadas. A produção nacional artesanal soma 400 milhões, mas, quando levado em conta a aguardente industrializada, o volume chega a 1,3 bilhão. “Minas Gerais é responsável por 60% da cachaça de alambique. Somos 9 mil produtores, dos quais 900 são formais. O setor tem 45 mil empregos diretos. Se o governador cumprir o que está na página 62 do seu plano de governo (revitalizar o Pró-Cachaça), vamos agregar números melhores”, avalia Alexandre Wagner da Silva, presidente da entidade.

Ele elogia a estratégia do governo em associar a bebida ao estado, mas alerta que o sucesso do programa também depende da revisão dos impostos, pois, apesar de Minas responder por 60% do mercado nacional de aguardente artesanal, a cachaça industrializada – a maioria é fabricada em São Paulo e no Ceará – ainda domina o comércio brasileiro. “Uma das metas é tentar, junto aos governos estadual e federal, a redução das alíquotas. Pretendemos abaixar (o ICMS) para 8,4%. Ainda é uma proposta”, antecipa Thiara Ribeiro, secretária executiva do programa, acrescentando que uma das consequências do Pró-Cachaça deve ser a migração de produtores informais para a formalidade.

Também aumentará a produção da tradicional bebida, usada por Dom Pedro I (1798/1834) para brindar o grito às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. “Foi um desafio à bagaceira portuguesa, bebida feita com o bagaço da uva. Por muitos anos, (a coroa lusitana) proibiu a fabricação da cachaça brasileira (feita com a cana-de-açúcar)”, conta o apreciador da branquinha Murilo Albernaz, de 62 anos, dono do Clube Mineiro da Cachaça, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste. O estabelecimento dele tem a maior variedade de marcas de aguardente do país: “São 1,2 mil rótulos diferentes e 4 mil garrafas”.

Uma delas é a legítima Havana, fabricada em Salinas, no Norte de Minas. A garrafa de 750 ml, que fica exposta num oratório, sai a R$ 450, quase cinco vezes mais que a embalagem de um uísque de boa qualidade negociada nos supermercados da capital. “A dose pode ser degustada a R$ 45”, divulga Albernaz que vende uma embalagem a cada dois meses. Já as duas marcas produzidas pelo presidente da Ampaq – Água da Bica e Sonhadora, ambas fabricadas em Brumadinho, na região metropolitana, custam bem menos.

No entanto ele projeta bons negócios após a revitalização do Pró-Cachaça: “A produção da Água Limpa, que hoje é de 80 mil litros por ano, deve saltar para 100 mil. A da Sonhadora, feita para mulheres, passará de 50 mil para 80 mil”. Seu Ailton Fernandes, dono da Meia Lua, de Salinas, no Norte de Minas, também torce para o sucesso do programa. Parte de sua produção é voltada para o mercado dos Estados Unidos. Ele espera aumentar a parcela de exportação.

“Estou no mercado desde 1988. Minha produção atual é de 40 mil litros por ano. Vendo para todos os estados brasileiros, e a expectativa é ampliar a produção, caso o programa dê certo”, diz o fabricante, escondendo quanto fatura com o mercado externo. Nesse concorrido setor, o segredo é uma das causas do sucesso.

Lobosó de São Roque de Minas com Cachaça Vale Verde

Hoje, 16 de fevereiro, mais uma edição do Clube Gourmet, do Clube Mineiro da Cachaça. Aqui você acompanha o resgate da tradicional culinária mineira e convive com convidados especiais que preparam sua receita, interagem com os amigos, trocam informações, experiências e dicas ligadas à culinária, sempre em um ambiente charmoso e acolhedor.

Antônio RabeloNeto de família tradicional de São Roque de Minas – Serra da Canastra - nasceu em Piumhi e foi criado em São Roque por sua avó, a Dona Losa, onde viveu entre o fogão e o forno a lenha de onde saíam quitandas e pratos deliciosos. Como um bom mineiro, interessou-se pela gastronomia das Minas Gerais e em junho de 1989 inaugurou o Zagaia, um pequeno bar que, após alguns anos de sucesso, tornou-se uma referência cultural.
Ao mudar-se para Belo Horizonte Toninho trouxe consigo o prazer pela culinária. Ingressou na Faculdade Estácio de Sá, cursou Gastronomia e sempre prepara para os amigos o Lobosó.

LobosóPrato típico da região da Serra da Canastra, onde a gente do lugar colhia em meio a roças de milho, abobrinhas novinhas, jilós e taiobas que eram cozidas com pedaços de queijo canastra e misturadas com farinha de milho em biju. Servido sempre com azeite, queijo canastra ralado, cebolinha, salsinha e um toque de pimenta passarinho (Cumari), desta vez o Lobosó é acompanhado pelo lombo de porco com um molho prá lá de especial e que tem como um dos principais ingredientes a cachaça Vale Verde.
Venha fazer parte dessa turma. O prato custa apenas R$ 12,00 e você ainda saboreia, gratuitamente, a cachaça de qualidade. Reserve sua mesa, porque as vagas são limitadas.


São Roque de MinasCom população de cerca de 7 mil habitantes, é uma das principais entradas do Parque Nacional da Serra da Canastra. Tem várias atrações naturais, com destaque para a Nascente do Rio São Francisco e sua primeira queda, a Cachoeira de Casca Danta, a Cachoeira do Cerradão, com mais de 110 metros de queda. Outras atrações são a Cachoeiras Antônio Ricardo e o Poço das Orquídeas. A vida econômica do município se baseia, há mais de um século, na produção do queijo Canastra. A segunda maior atividade em importância é a cafeicultura, cuja área de plantio cresceu muito nos últimos dois anos.
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E tem mais: toda terça, no Clube Mineiro da Cachaça, acontece a "Terça Devassa".
Lilian Machado coordena a diversão com muita Devassa Gelada a preço promocional e música da melhor qualidade.
Mas as atrações não param por aí: a cada duas cervejas que você consumir, nossas promotoras vão disputar com você, no dado, mais uma por conta da Casa. Não fique fora dessa!


Clube Mineiro da Cachaça
Rua Mármore, 373. Santa Tereza. BH. MG.
Informações e reservas:
(31) 2515-7149 – (31) 3468-3084 - (31) 9102-9405
Aprecie a vida radicalmente, mas beba com moderação!

Movidos a álcool

Verão na Bahia é sinônimo de muito pagode e axé. Os ensaios de Psirico, Harmonia, Jau, Brown, Parangolé, entre outros, tomam conta da capital Salvador e região. Mas se você não quer ralar a tcheca no chão, há sempre uma opção. Venha sofrer, amar, beber até cair e curtir o som irreverente do rock brega da banda Movidos a Álcool, no próximo dia 18 de fevereiro (sexta-feira).

Neste dia, todos os caminhos nos levam ao Let's Go, em Vilas do Atlântico, Lauro de Freitas. A partir das 22h, Waldick Soriano e Raul Seixas serão encarnados na voz inconfundível do musicalmente sóbrio Eduardo Cachaça. Na guitarra, Belvis Seixas. No baixo, Willy Haendel. A bateria é domada por Tico Malibú. Os teclados de Fabrício Biron dão o toque mais brega ao grupo. Tudo isso e você só paga R$ 10. Metade pelo rock e a outra pelo brega.

O convite está feito. A galera da Movidos a Álcool te espera para biritar ao som do melhor rock brega desse verão. No show, sucessos da banda, como 'Sônia Louca' e 'Vou Morar no Brega', se misturam com clássicos da música popular brasileira. 'A Raposa e as Uvas' e 'Garçom' estão mais do que certas no repertório.

Histórico e estilo
Fundada em 2001 pelo vocalista Eduardo Cachaça e pelo guitarrista Belvis Seixas, a Movidos celebra a união do rock com o brega. As influências vão de Odair José a Camisa de Vênus. Não há limites para criatividade. O grupo esbanja irreverência também no figurino colorido e florido. Ou melhor, brega. A turma da banda acompanha a galera e birita durante a apresentação. Combustível que já vem no nome. No show, músicas inteligentes falam de mulheres, traições, histórias e dores de amor, boemia e causos de mesa de bar. Tudo isso é um oferecimento da Manguaça Records, selo criado pela própria banda, que já vendeu mais de dois mil discos.

Serviço
Quando: dia 18 de fevereiro de 2011 (sexta-feira)
Onde: Let's Go, Vilas do Atlântico (Lauro de Freitas)
Horário: A partir das 22h
Entrada: R$ 10
Mais informações: http://www.facebook.com/l/7727eY_LY8-jkmiBiVZ6fFQ7WnA;www.movidosaalcool.com.br

Cachaça Havana disputa marca com fabricante de rum

Reproduzo matéria publicada pelo Pró-Cachaça, de Minas Gerais.

Belo Horizonte - Uma das disputas sobre marcas de maior repercussão no País completou dez anos sem perspectivas de um acordo. A briga que opõe uma fabricante internacional de rum e a família que produz a mais famosa aguardente artesanal mineira foi parar nos tribunais depois que, em 31 de janeiro de 2001, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) arquivou o pedido de registro da cachaça Havana.
A decisão obrigou a pequena indústria de aguardente a alterar o nome nos rótulos, já que a marca havia sido registrada pela Havana Club Holding S/A, do rum Havana Club. Em outubro de 2005, os herdeiros de Anísio Santiago - que em 1943 iniciou a produção da cachaça Havana, na fazenda de mesmo nome, localizada na Serra dos Bois, em Salinas, no norte de Minas - conseguiram reaver o nome por meio de liminar, mas agora lutam para ter a marca em definitivo.
“Está fazendo dez anos, a gente esperava que já tivesse uma solução”, reclama João Ramos, genro de Anísio Santiago, que morreu em dezembro de 2002, aos 90 anos. Segundo familiares, ele faleceu extremamente desgostoso com a perda da marca, tanto que pediu que colocassem fogo em todos os rótulos da Havana.
Na tentativa de conseguir reverter a decisão do Inpi, herdeiros de Anísio pediram ajuda a políticos do Estado. No início do governo Lula, o ex-vice-presidente José Alencar - cuja família também é produtora de cachaça - encaminhou carta à direção do instituto. No ano passado, Ramos fez um apelo à então candidata Dilma Rousseff quando, durante a campanha, ela visitou Montes Claros, cidade vizinha a Salinas.
No fim de 2010, ele participou de uma audiência em Brasília com o ex-ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. “A gente tem buscado apoios, mas tem sido uma luta inglória. Por que outros países defendem os seus produtos, a França defende seus vinhos, seus queijos, e nós não defendemos a nossa cachaça?”, questiona.
A liminar concedida pela Comarca do município à Indústria e Comércio de Aguardentes Havana foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O processo de dez volumes foi remetido em 2008 para a 8.ª Vara Federal de Belo Horizonte e aguarda sentença desde junho. Figuram como réus o Inpi e a Havana Club Holding.
Em tempo(nota do Blog):o rum Havana Clube pertence à multinacional de origem francesa Pernod Ricard.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Rótulos de Cachaça em Mostra

Exposição "Caprichosamente Engarrafada: Rótulos de Cachaça", fica em cartaz a partir desta semana no Instituto Tomie Ohtake (zona oeste de São Paulo.Acesse: http://guia.folha.com.br/exposicoes/ult10048u872402.shtml