Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Mérito da Qualidade

O Concurso Cachaça de Minas – Medalha Mérito da Qualidade -, promovido pela FENACA sob a coordenação da Universidade Federal de São João del-Rei, promete ser um marco nacional no contexto da qualidade da cachaça de alambique. O modelo criado pela FENACA para a realização do Concurso, em que a sustentação da escolha das premiadas se dá por avaliações técnicas criteriosas, vem despertando interesse de outros estados. Já foram feitas sondagens sobre a possibilidade de sua utilização em concursos no sul e no nordeste. Acredita-se que, dada a receptividade, em breve se terá a disseminação do mesmo em todo o país.
Em Minas a AMPAQ, fortalecendo a sua parceria com a FENACA e consolidando seu apoio ao Concurso, firmou acordo para facilitar as inscrições de seus associados. A AMPAQ tem como foco maior de sua atuação a indução constante da melhoria da qualidade das cachaças produzidas por seus associados e, desta forma, percebe a perfeita sintonia com o objetivo do Concurso, que visa a melhoria da qualidade da cachaça ao longo de toda a cadeia produtiva. Os sócios terão suas inscrições facilitadas, via AMPAQ. Mais informações podem ser obtidas no endereço: ampaq@ampaq.com.br

Unidos beberemos!

É com imenso prazer que registramos a Edição Extra do jornal Pinga nos iiiiiiii, da Confraria do Copo Furado, do Rio de Janeiro. O Jornal trata, principalmente, do II Congresso Brasileiro da Cachaça, realizado no último mês de maio, em Salvador (BA).
Parabenizamos os abnegados colegas da Confraria por seu brilhante trabalho.
Entre os diversos temas abordados pelo jornal a respeito do II Congresso, está a questão do “embate” entre a Cachaça de Alambique e a Cachaça Industrial. O Clube Mineiro da Cachaça entende que este embate é absolutamente desnecessário. Acreditamos que devemos continuar enaltecendo as qualidades da nossa cachaça de alambique, que possui características próprias. Assim como o seu similar, que possui também características próprias. São produtos diferentes, embora a legislação brasileira insista em mantê-los sob um mesmo arcabouço legal. Uma questão que esperamos em breve ver solucionada.
Mas é importante notar que apenas a cachaça de alambique tem conseguido unir apreciadores das mais variadas origens e matizes intelectuais, em todo o país, ao redor deste produto, como a própria Confraria do Copo Furado é um grande e brilhante exemplo. Não temos conhecimento da existência de associações de apreciadores em torno do similar nacional.
Quem desejar receber por e-mail a edição extra do Jornal PINGA nos iiiii, da Confraria, solicite pelo endereço: cmc@clubemineirodacachaca.com.br que degustaremos o prazer de enviar.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Receita apreende bebidas

Fiscais visitaram 14 empresas em Belém atrás de sonegadores

Fiscais da Receita Federal apreenderam no final de maio 30 mil garrafas de vodka, coquetel, sangria e cachaça, além de quatro caixas de uísque que estavam sendo comercializados sem o selo de controle de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A operação 'Água Ardente', percorreu 14 estabelecimentos da Região Metropolitana de Belém, sendo que 13 apresentavam a irregularidade. Todo o material recolhido tem valor aproximado de R$ 200 mil, mas somados aos impostos e multas cabíveis o valor apreendido chega a R$ 500 mil.

Os proprietários dos estabelecimento onde foram encontradas irregularidades terão muita dor de cabeça com o Fisco. No casos dos que vendiam material sem selo fiscal, a multa corresponde a 50% do valor do produto comercializado. Já para os que possuiam selo falso, a multa é de R$ 5 por unidade do produto. Nos dois casos, os comerciantes terão, ainda, que pagar o IPI que estava sendo sonegado além de multa de 75% correspondente ao imposto. 'Além da perda do produto', destacou Maria Helena Coutinho Ponte, delegada da Receita Federal em Belém.

Os produtos apreendidos foram levados ao depósito da Receita. A cachaça deverá ser jogada fora, enquanto o restante passará por procedimentos administrativos e deverá ir à leilão. O preço médio de cada garrafa de uísque recolhida ontem pela Receita é de R$ 60. 'Normalmente os bens apreendidos pelo órgão são doados. Mas em casos como esse, em que estamos tratando de bebidas alcoólicas, eles vão a leilão ou então são destruídos', revelou.

A operação 'Água Ardente' teve a colaboração da Aeronáutica, que emprestou três caminhões para transportar os produtos apreendidos, e da CTbel, Companhia de Transportes do Município de Belém, que ajudou a controlar o trânsito próximo aos locais fiscalizados. A operação percorreu fábricas, depósitos de bebidas e estabelecimentos comerciais.

Desde 2005, passou a ser crime o comércio, armazenagem e a venda de bebida sem o selo, em diversos tipos de bebidas. De acordo com os fiscais, não se trata de bebidas falsificadas ou com qualquer outro tipo de adulteração. O selo é garantia do controle dos produtos e do pagamento de impostos devidos. A falta do selo de controle indica que o produto está irregular no que diz respeito a pagamento de impostos. Entretanto, cada caso deverá ser analisado. Alguns tipos de bebidas, como vinho e cerveja, por exemplo, não precisam do selo. A obrigatoriedade é para as bebidas destiladas como cachaça, uísque e vodka.

Em um dos atacadistas, localizado na área do Entroncamento, os fiscais chegaram a retirar todas as garrafas da bebida 'Cantina da Serra' das prateleiras, que por muitos é chamada de 'vinho'. Entretanto, em seu rótulo, está especificado 'sangria' - uma mistura de vinho com suco. Os fiscais da Receita informaram que aquela bebida deveria ter o selo do IPI, já que não era um vinho de fato. O coordenador de Marketing da marca, Marcos Barros, disse que a 'sangria' Cantina da Serra está amparada judicialmente, já que é um produto equiparado ao vinho, ou seja, não precisa do selo de controle. 'Mas todos os nossos impostos são pagos normalmente', frisou.

Para o chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita, Luciano Almeida Carinhanha, o resultado da operação já era previsto. Foram apreendidos 30 mil garrafas de bebidas nacionais e quatro caixas de uísque, no valor total de R$ 200 mil. 'Nós recebemos a denúncia e foi feito um levantamento, que constatou a comercialização de mercadoria sem o selo do IPI'.

O auditor fiscal da Receita, José Renato Gomes, explica que a alíquota do IPI para bebida alcoólica é alta por não se tratar de produto essencial. No caso da cachaça, o IPI corresponde a 60% do valor do produto. 'Para o uísque esse percentual é bem maior. Muito diferente do que acontece com o leite, onde não é cobrado IPI porque trata-se de produto essencial', destacou.

A operação 'Água Ardente' durou o dia todo. Ela foi desencadeada apenas na Região Metropolitana de Belém. A Receita não descarta, no entanto, a possibilidade de organizar um ação parecida em outros locais.(Fonte: Jornal O Liberal - PA).

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Cachaça acima da média

Quem ainda não conhece, precisa conhecer. As cachaças do Médio Paraopeba, região de Minas Gerais próxima a Belo Horizonte, chamam a atenção pela qualidade superior. É só provar para comprovar. Entre as que mais se destacam estão: Rainha do Vale, Serra Morena e Gavião do Vale, de Belo Vale; Rainha de Macaúbas, Flor da Macaúbas e Macaubana, de Bonfim; Água da Bica, Boa Vitória, Segredo do Patriarca, Saideira e Brumado Velho, de Brumadinho. A região prepara-se para obter a indicação de procedência para suas cachaças.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

A Cachaça de Alambique hoje

Palestra proferida por Murilo Albernaz, presidente da Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique (FENACA), por ocasião da abertura do II Congresso Brasileiro da Cachaça (II CONBRAC), em Salvador (BA), em 20/05/09.

Primeira capital brasileira e capital brasileira por mais de 250 anos.
Terra de São Salvador.
Terra de Castro Alves, Rui Barbosa e outros grandes expoentes da arte e da cultura.
Berço da Cachaça de Alambique e, neste exato momento, Salvador é a Capital da Cachaça de Alambique do País, ao realizar o II Congresso Brasileiro da Cachaça.
A história da cachaça, o empreendedorismo, a agricultura familiar, o processo produtivo, o envelhecimento, a questão ambiental e a responsabilidade social, a certificação e o mercado externo, a produção comparada com outros destilados de qualidade no mundo,
Compõem o universo deste Congresso que, certamente, será referência para produtores, técnicos, cientistas e consumidores, colocando a cachaça em um patamar mais elevado.
É de amplo conhecimento que a cachaça de alambique – um produto de quase 500 anos de história – tem como um dos marcos de sua trajetória a criação da primeira associação de produtores – a Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (AMPAQ).
A AMPAQ representou, com sua criação, uma reviravolta nos rumos de nossa bebida nacional, ao unir produtores que resolveram tomar sua própria história nas mãos, traçar caminhos, apontar rumos. Foi a principal responsável pela criação de outras associações no país e esteve presente em seus principais acontecimentos.
É talvez, ainda hoje, a mais estruturada associação de produtores de cachaça de alambique do Brasil. E, ao reconhecer este fato, ouso a liberdade de tomar como nosso o editorial mais recente da revista da AMPAQ, assinado por seu presidente, Alexandre Wagner da Silva para embasar a nossa fala.
Nele o presidente da Ampaq faz seis perguntas, cujos temas pretendemos abordar. São elas:

1) Informalidade: até quando o Governo deixará sem solução o problema da produção, com 90% dos produtores de cachaça de alambique na informalidade?
2) Tributação: qual a justificativa para se tributar a cachaça de alambique em até mais de dez vezes o seu similar?
3) Mercado Externo: por que não se tem uma estratégia própria para o nosso produto, que possui características particulares, visando o mercado externo?
4) Lei das bebidas: por que a cachaça de alambique, um produto específico, típico do Brasil, não tem uma lei própria que a regulamente?
5) Cooperativismo: por que tantas dificuldades para a implantação do sistema cooperativista na cachaça de alambique?
6) Desenvolvimento tecnológico: por que a cachaça de alambique não merece, por parte de órgãos de ciência e tecnologia do País, tratamento adequado à sua importância histórica, econômica e social?
Vamos tentar respondê-las, começando pela questão do

Desenvolvimento Tecnológico

Este é o forum mais adequado para se discutir o desenvolvimento tecnológico do setor. A Fenaca acredita que estão aqui representados os mais variados grupos de trabalho, distribuídos pelas instituições de ensino e pesquisa do país. E, desta forma, como resultante das discussões que aqui serão travadas, certamente teremos definidos os rumos tecnológicos para cachaça de alambique.

Informalidade

O problema e a solução da questão da informalidade na cachaça de alambique são de conhecimento do Governo.
Ou o Governo assume o ônus social e econômico de fechar os alambiques informais – que todos sabemos onde estão – e tirar de cerca de 20 mil famílias da agricultura familiar o seu ganha-pão, ou assume o seu papel de criar as condições legais favoráveis aos que desejam produzir dentro da formalidade ou, ainda, incentivar e apoiar de forma decidida o cooperativismo no setor, inclusive resolvendo a questão junto à Receita Federal que impede, na pratica, a existência da produção cooperada na cachaça.

Tributação

A cachaça, bem como os demais destilados, tem a obrigação de arcar com sua responsabilidade perante a sociedade.
É de fundamental importância a realização de um censo nacional da produção e do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, insubstituível base científica para uma política pública do álcool.
A tributação sobre a bebida destilada deve incidir sobre o teor alcoólico e, mais que isto, incidir sobre a escala de produção, em sintonia com os apelos da Organização Mundial de Saúde, como ocorre nos demais países do mundo.
O mínimo que o setor espera do governo é a isonomia tributária, sob pena de exterminar a pequena produção de cachaça no país e ser responsabilizado por isto.
Não existem justificativas plausíveis para se tributar a bebida genuinamente brasileira de forma tão destrutiva e totalmente contrária ao movimento de valorização do produto.

Mercado externo

O Governo brasileiro continua sem reconhecer de forma devida o potencial de nossa cachaça de alambique. Um exemplo disto é a constatação de que a balança comercial brasileira, no que diz respeito ao comércio de bebidas alcoólicas, pende desastrosamente desfavorável ao Brasil, com a importação de bebidas alcoólicas e a importação de insumos para a produção de cerveja.

A cachaça de alambique tem especificidades que devem ser levadas em consideração em qualquer programa de exportações.


Para criar um ambiente favorável às exportações de cachaça de alambique é necessário:

- maior articulação e ação conjunta com as representações diplomáticas e comerciais no exterior, mesmo as das empresas privadas;
- informações consistentes sobre o mercado internacional de destilados, permitindo uma priorização fundamentada (afinidades lingüísticas, por exemplo: países de língua portuguesa, comunidade latina nos EUA, Mercosul, etc.), a busca simultânea do comercio intercooperativista mundial e do Comércio Justo (fair trade);
- análise qualitativa das exportação de cachaça, que permita identificar e corrigir distorções (caso do granel e do rum, que possui a mesma classificação – NCM 2208.40- da cachaça de alambique);
- valorização e ações junto às comunidades brasileiras no exterior, os imigrantes brasileiros, embaixadores naturais de nosso produto;
- articulação com projetos de outros setores que tenham vínculo ou afinidade com a cachaça;


Lei da Cachaça

Mais uma vez o governo deixa de cumprir o seu papel.
É questão obrigatória para todo e qualquer país a legislação adequada e compatível para seus produtos.
Não existe uma lei própria para a cachaça de alambique que viabilize a verificação e o controle de suas características específicas, a qualidade do produto, que valorize sua história e suas tradições.
Hoje, no Brasil, a cachaça de alambique é tratada dentro do arcabouço de uma lei ampla, que inviabiliza ações para a construção de uma política pública, fundamental para que a bebida brasileira possa se desenvolver, garantindo a inclusão social de seus 30 mil produtores.

Em nome da Fenaca agradeço a oportunidade de me dirigir a este Congresso, e espero que, no transcurso dos trabalhos, estes e outros temas pertinentes sejam discutidos e resultem na elaboração de um documento final com propostas de ações necessárias ao desenvolvimento do setor.

Murilo Albernaz

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Cachaça à distância

A Universidade Federal de Lavras – UFLA através do gerenciamento e coordenação
da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE, possui a
modalidade de Cursos - Qualificação Profissional à distância, direcionados para pessoas que trabalham e não possuem disponibilidade de tempo para permanecer distante por longos períodos, mas que necessitam atualizar e incrementar seus conhecimentos na área profissional. Entre os cursos oferecidos pela UFLA está o de Produção de Cachaça de Qualidade.
A qualidade do curso é garantida pela eficiência da coordenação, pelo corpo docente
altamente qualificado e pela disponibilização de uma adequada infra-estrutura, sem falar na excelência da UFLA, com 100 anos de Ensino, Pesquisa e Extensão que vem contribuindo para a formação de milhares de profissionais em todo o Brasil.
Mais informações podem ser obtidas no seguinte endereço:
Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE
Setor de Extensão - Caixa Postal 3142 - CEP 37200-000 - Lavras-MG

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Concurso Cachaça de Minas

O Concurso Cachaça de Minas vai apontar as cinco melhores cachaças produzidas no estado no ano de 2009 nas categorias nova/descansada, armazenada/envelhecida e premium.
As inscrições estão abertas ao preço de R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais) por marca. O Concurso é coordenado pela Universidade Federal de São João del-Rei, e conta com o apoio do Governo do Estado de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA). A cerimônia de lançamento do Concurso aconteceu no último dia 15 de abril, no auditório da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG) e contou com a presença de diversas autoridades e representantes do setor produtivo no Estado.
Mais informações podem ser obtidas no site: www.dacaf.com.br, pelos endereços: fenaca@fenaca.org.br; cmc@clubemineirodacachaca.com.br; ou pelos telefones: (31) 3481-5935 e (31) 3468-3084.

Dia da Cachaça Mineira

Como parte das comemorações do dia 21 de maio - Dia da Cachaça Mineira, criado em lei sancionada pelo ex-presidente Itamar Franco enquanto Governador de Minas, a Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade – AMPAQ, em parceria com outras entidades do setor, deverá homenagear personalidades que se destacaram no fortalecimento da cachaça no estado. Entre os cotados a serem homenageados, o deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira – autor da Lei e do Plano Nacional da Cachaça de Alambique – em tramitação no Congresso Nacional – e o ex-deputado e atual vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, autor da Lei que criou o Pró-Cachaça.

Congresso Brasileiro da Cachaça

De 20 a 22 de maio de 2009, acontece no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador (BA), o II CONBRAC – Congresso Brasileiro da Cachaça. O Congresso reúne produtores, cientistas, técnicos e demais profissionais ligados ao universo da cachaça para um amplo debate sobre as tendências e os avanços tecnológicos do setor. A realização do II CONBRAC faz parte de um grande esforço das entidades ligadas ao setor produtivo, tendo em vista uma política pública para a cachaça, construída de forma ampla e participativa.
O Congresso é uma realização da Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique (FENACA). Mais informações no site: www.congressodacachaca.com.br.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Sobre o fumo e as incoerências tucanas

Reproduzimos abaixo o excelente comentário do blog Entrelinhas (http://blogentrelinhas.blogspot.com/2009/04/incoerencias-tucanas.html), que trata da questão da proibição do fumo.

"Um bom artigo sobre a lei antifumo do governador José Serra (PSDB) saiu na revista Época desta semana. Vale a leitura, até porque o autor é bastante sincero e avisa logo que é fumante.

Este blog defende uma posição bastante particular neste debate: assim como existe casa noturna com frequência exclusivamente gay (há também as tais GLS), deveria ser regulamentado um número determinado de "franquias" para restaurantes, bares e casas noturnas em que o fumo seria permitido. Digamos que 20% ou 10% dos estabelecimentos seriam livres para fumantes, com avisos na porta, bem claros – pode até ser uma caveirinha humana com dois cigarros acesos cruzados embaixo ou a cara feia do governador Serra, tanto faz. A proibição valeria para 80% ou 90% dos locais e os empresários que quisessem poderiam operar o nicho do público fumante sem maiores dores de cabeça. Quem não fuma tem seus direitos preservados - basta não entrar nos esfumaçados ambientes livres para o cigarro - e quem fuma pode se enfurnar entre seus companheiros de trago e de dor sem ser visto com uma espécie de ET.

É evidente que a lei do governador José Serra tem um viés totalitário – o texto chega ao cúmulo de proibir tabacarias de servir comida, o que não faz sentido: por que diabos o pessoal que curte um charuto não pode bebericar e petiscar entre uma tragada e outra? Por outro lado, também é verdade que a tendência mundial é mesmo a de restringir o direito dos fumantes. O blog concorda plenamente com a proibição em praticamente todos os locais públicos e privados fechados, à exceção de residências, mas considera que é preciso um pouco de bom senso em relação a locais em que o fumo é tradicionalmente utilizado, como bares e casas noturnas, em especial. A "cota para fumantes" resolveria esta questão com facilidade, sem prejuízo para os não fumantes. Abaixo, o texto de Ricardo Amaral publicado em Época.

Por que não proíbem logo fabricar cigarros?"

A lei antifumo de Serra não combate o cigarro: ela estigmatiza o fumante e envenena a sociedade

Ricardo Amaral

É difícil apontar o pior defeito da lei antifumo que o governador José Serra fez aprovar na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ela consegue ser iníqua, demagógica e ineficaz ao mesmo tempo. Serve pouco ou nada para reduzir os males ou combater o vício do tabagismo, mas contribui, e muito, para fomentar uma histeria discriminatória que anda envenenando as relações sociais. Não é uma lei contra o cigarro. É só mais um instrumento, com o peso do Estado, para estigmatizar o fumante.

Vou logo avisando: fumo, desde os 15 anos de idade, uma quantidade razoável de cigarros por dia. Não menos do que 15, às vezes até 30 ou mais, depende. Ao longo dos anos, prejudiquei a saúde e o bem-estar de quem conviveu comigo em salas, gabinetes, redações – e, pasmem as novas gerações, também em cinemas, teatros, ônibus e aviões (em elevadores, só na Europa). O tempo do tabagismo selvagem e estúpido passou. Meu passivo hoje é com minha própria saúde e com a estabilidade emocional dos meus filhos, minha mulher e de todos que gostam de mim, apesar do cigarro. Não são poucos motivos para parar de fumar. Posso dispensar o concurso do governador e dos senhores deputados.

Se o leitor continuar disposto a considerar os argumentos de um fumante, mesmo suspeito de parcialidade, vamos a eles. Basta um teste simples para saber se uma iniciativa é realmente eficaz para reduzir o consumo de cigarros: conferir a reação dos fabricantes. A Lei Serra nem sequer fez cócegas na indústria do fumo. Os sindicatos dos hoteleiros e dos donos de bares e restaurantes é que anunciam ações judiciais contra a nova lei. Devem ganhar, mas vão pagar o desgaste de uma ação considerada politicamente incorreta. A indústria do cigarro só se mexe quando é atingida no cofre, pela elevação de impostos, ou no balcão, pelo controle dos pontos de venda.

Há um detalhado estudo sobre a relação entre impostos, preços e consumo de cigarros feito pelo economista Roberto Iglesias para a Aliança de Controle do Tabagismo no endereço http://actbr.org.br/uploads/conteudo/200_Precos-impostos-ACTBR.pdf. Ele demonstra como a indústria brasileira viveu os últimos dez anos num paraíso fiscal de tabacaria, sob o pretexto de combater o contrabando, e como essa política aumentou o consumo interno. Entre 1998 e 2007, o peso relativo do IPI sobre os cigarros caiu de 36,3% para 20,5%, enquanto o número de maços vendidos no país passou de 4,8 bilhões para 5,5 bilhões. Aumentar imposto e preço é também a forma mais eficiente de reduzir a adesão de jovens ao vício.

Nada disso é novidade para o governador José Serra. Ele enfrentou a indústria do fumo e lhe impôs grandes derrotas quando foi ministro da Saúde. Proibiu a propaganda de cigarros na televisão e nos carros de Fórmula 1, obrigou os fabricantes a estampar aquelas fotografias repugnantes nas embalagens, colocou o Brasil na vanguarda da prevenção contra os males do fumo. Trabalhei na equipe do Ministério da Saúde em 1999 e sou testemunha do antitabagismo sincero de Serra. E me recordo de ter convivido com um ministro tolerante. Serra tinha até cinzeiros em casa.

A lei pode estar inspirada em boas intenções, mas o resultado é uma violência – não só contra o fumante. Ela começa pela abolição do livre-arbítrio. A pretexto de garantir o direito da maioria, ela proíbe o exercício da racionalidade. O cidadão é considerado incapaz de decidir sobre o que pode ou não pode fazer em espaços privados. Provavelmente é essa lógica autoritária que define o erro seguinte da lei: o desobediente não sofre sanção alguma, no máximo será removido por força policial. O fumante torna-se inimputável, como os índios e os loucos. Por fim, a aberração mais perigosa de todas: as multas previstas na lei recaem sobre o proprietário, responsável ou preposto que tolerar o fumo em locais de uso coletivo. É a terceirização da pena pelo crime que outra pessoa cometeu.

A lei é perniciosa na forma e perversa nas consequências porque estimula a delação. Ela envenena a convivência, a pretexto de limpar o ambiente. Se o Estado quer mesmo combater o vício, por que não proíbe logo a produção de cigarros e dispensa uma arrecadação anual de R$ 6 bilhões em impostos?

Não sei aonde o governador José Serra quer chegar apagando cigarros pelas ruas de São Paulo. Se ele olhar em volta, verá que o ex-presidente Fernando Henrique corre o mundo defendendo a legalização da maconha.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Cachaça Mecânica

Para registro do Blog: uma música de qualidade, de um grande compositor e que coloca em sua obra a bebida nacional brasileira. É mais um registro da cachaça no cancioneiro popular.

Cachaça Mecânica
Erasmo Carlos
Composição: Erasmo Carlos/Roberto Carlos

Vendeu seu terno
Seu relógio e sua alma
E até o santo
Ele vendeu com muita fé
Comprou fiado
Prá fazer sua mortalha
Tomou um gole de cachaça
E deu no pé...

Mariazinha
Ainda viu João no mato
Matando um gato
Prá vestir seu tamborim
E aquela tarde
Já bem tarde, comentava
Lá vai um homem
Se acabar até o fim...

João bebeu
Toda cachaça da cidade
Bateu com força
Em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
Mas sambou desesperado
Comeu confete
Serpentina
E a fantasia...

Levou um tombo
Bem no meio da avenida
Desconfiado
Que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
E foi pisado pela escola
Morreu de samba
De cachaça e de folia...

Tanto ele investiu
Na brincadeira
Prá tudo, tudo
Se acabar na terça-feira...

Vendeu seu terno
E até o santo
Comprou fiado
Tomou um gole
João no mato
Matando um gato
Naquela tarde
Lá vai o homem...

João bebeu
Toda cachaça da cidade
Bateu com força
Em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
Mas sambou desesperado
Comeu confete
Serpentina
E a fantasia...

Levou um tombo
Bem no meio da avenida
Desconfiado
Que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
E foi pisado pela escola
Morreu de samba
De cachaça e de folia...

Tanto ele investiu
Na brincadeira
Prá tudo, tudo
Se acabar na terça-feira...

Prá tudo, tudo
Se acabar na terça-feira...(3x)


Para ouvir acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=Sao5M_8tBvo

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Cachaça Gourmet

18 marcas de cachaça de alambique de qualidade, 12 restaurantes, a boa música popular brasileira e um público seleto de apreciadores são os principais ingredientes do Projeto Cachaça Gourmet, que tem início no próximo dia 14 de abril, a partir das 19:30 h, em Belo Horizonte.
O objetivo principal do Projeto é o resgate da culinária mineira típica à luz da utilização da cachaça de alambique. Nele, a cozinha mineira e a nossa cachaça de alambique, utilizadas de forma conjunta, resgatam nossas tradições para apresentá-las traduzidas em uma nova cozinha mineira, ou “NOUVELLE CUISINE”, como diriam os franceses.
Ao preço de R$ 50,00 o convite, o participante terá direito a prato principal, sobremesa, aperitivos e coquetéis diversos, água e refrigerantes, além das boas conversas que o ambiente vai proporcionar.
O Projeto tem a duração de seis meses e a primeira etapa envolve 05 restaurantes:
14/04 – Cervejaria Brasil
28/04 – Caminho da Roça
12/05 – Tradicionalíssimo
26/05 – Jardim de Minas
02/06 - Matusalém
Os convites podem ser adquiridos também no Clube Mineiro da Cachaça (rua Hermilo Alves, 308 – Santa Tereza – Belo Horizonte). Mais informações pelos fones: (31) 3468-3084 ou (31) 9181-2770.